Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Dissimulação




Abre-se a cortina de um palco numa dissimulação
Onde baratas tontas tilintam em gesto reflexo
O sapateado de uma existência sem nexo

Tocam violino os gafanhotos saltitantes
Distraindo a audiência de rastejantes
Que veneram o trono da abundância
Dos parasitas da transumância

As lesmas entrelaçam viscosidades
Trocam fluidos fertilizando os campos
De tempestades elétricas
Tatuando mapas de tesouros quais arados
Nos caminhos alagados

São as incongruências das quimeras
O sonhar surrealista da constituição
Dos puzzles desagregados onde faltam peças
E onde os mamíferos desencantados
Não dão por nada quais drogados

As cigarras estridentes marcam encontro
No centro das pastagens
E distraem-se em alheamento total
Perante olhares de súplica e socorro
Pedindo que os tímpanos em vibrações acutilantes
Não se destruam provocando a surdez seletiva
Devido às paranoias e línguas bifurcadas  sem mal nem bem
Que enegrecem os céus em ignorância perdoada
Porque não sabem o que fazem! 

Sem comentários:

Enviar um comentário