Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sábado, 30 de maio de 2015

Trapos



Transformamo-nos em trapos
Estendidos teimosamente em varandas soalheiras
Que são obra de arte expressando
Desânimo desilusões olheiras
Disfarçadas por maquiagens baratas
Encontradas pelos negócios decrépitos da sedução
São as lixeiras por entre os pós das feiras
Cansadas hipnotizadas
Pela cegueira dos bichos da madeira
Lagartas do desdém adoradoras de moedas
Destroem o material nobre que fica pobre
E a terra sustém

Os trapos estendidos acenam ao vento à chuva
Porque ficaram esquecidos no corrimão das estações
Feito estendal de misérias humanas
Onde a urina dos cães prisioneiros
Polui a piscina cimentada pelo ego da falsa realeza
E faz erguer uma miscelânea de odores
Provocadores de doenças quando a água amortece
Em sombreados turvos
Enquanto os parasitas de ventosas se agarram às paredes
E flutuam na imundície

Somos trapos estendidos na varanda da paranoia
Que se assoma para a rua da urgência dissimulada
Onde a preguiça se instalou
E nem permite que criaturas decadentes
Se desamarrem dos tentáculos neurais
Em que se enlearam nas próprias  mentes

Sem comentários:

Enviar um comentário