Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

terça-feira, 30 de junho de 2015

Contínuo



Impotente agarro-me à corda que vacila
Ondula em vontade perpétua para lá deste tempo
Que se faz jogo incerto do contínuo movimento
Que me acrescenta mais uma ponte tentacular
Entre o desconforto o desânimo
E a arte andante do saber demorar

O permanecer é salto no escuro é sufoco indigestão
E o demorar é abafo estilhaço desabafo sermão
Ruídos desunidos misturados baralhados confusão
Atrações maldições inconvenientes e traições

Esta vida só se sustem em andamento
Parando será muito maior o tormento
Como alguém que tem de continuar a pedalar
Pois se estanca a bicicleta e não leva os pés ao chão
Cai!
Ficar estático não se equilibrar é sintoma de desleixo
Não se acarinha não se alegra não festeja
Como no veículo de duas rodas
Que acidentalmente quebrou o eixo

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