Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

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A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Desperdícios cósmicos



Linhas movediças em luz na negridão ondulam
Criam artifícios de diversão para elas próprias
Enquanto os ovos aguardam e pelo abismo pululam
São ligamentos sem cais que se atracam em frotas

Olhos múltiplos desafiadores frios das profundezas
Investem as mandíbulas contra os próprios membros
São lunáticos parasitas excrementos
Criados nos poços cósmicos
Repletos de detritos e sedentos de criação
Mas a beleza é falsete sem braço sem mão
Instrumentos de venenos indigestos

A pulsação estelar revolta-se e as estrumeiras expandem-se
As criaturas térmicas enferrujam e mastigam-se
Os dedos da animalidade passeiam
Por entre o gelo galáctico e mirram
O cosmos liberta excedentes
Materiais orgânicos que no submundo brotam

A energia jorra expele a saliva da dissecação
Corta os tentáculos do vazio
E mistura-se com a podridão
O ácido corrói a rocha ansiosa
De transformação e oxigenação

Raios faíscam e empreendem a tarefa hercúlea de adubar
Espraiam  agitam chocalham tempestivamente
Moldam a forma a dimensão o respirar
E sucumbem exaustos no semear
Depois pacientes esperam pela ressuscitação

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