Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Espírito



O espírito procurou a liberdade do olhar cor das safiras
Cristalizando a beleza do amor
Procurou o cântico das crianças
A alegria intensa dos seus rituais e danças
Ultrapassou a janela
Pulou para dentro do círculo da consciência pura
Sintonizou o espaço de plena natura
E reconheceu o semelhante
A família o lar o pai o filho o amante

O reino da comunicação explanou-se
Como fogo de artifício e os afagos as carícias
Edificaram uma relação forte e segura de delícias

O espírito aninhou-se no calor humano
Partilhou o espaço o assento o leito
E as qualidades desabrocharam
Extinguindo o desalinhado defeito

Envolveu-nos o espírito com seu disfarce
Protetor de maldições confusões fragilidades cruéis
Inconsciências coercivas
De vibrações débeis obscuras obsessivas


Quem sabe se não veio para ficar connosco
Empreender o caminho e viajar
Para depois alcançarmos o descanso profundo
Tão desejado e salvaguardados finalmente
Das maleitas do Mundo


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