Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

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A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Janela para o abismo



O sofrimento deambulou fechado
Pela materialidade das criaturas
Que ignoram como sair da perpétua vibração
Das maleitas das chicotadas
Da incómoda indigestão
Os ácidos unem-se nas entranhas envelhecidas
E corroem os órgãos em patológica propagação

A dor bloqueia os ecos do abismo
Ensurdece o cantar da consciência expansiva
Para além da janela do esquecimento
Olhos saudáveis cegam na visão cósmica
E o trabalho concentra a perceção
Em esquemas adulterados de sobrevivência
Enquanto a agonia conduz o corpo e a alma à decadência

É dádiva neste centro de furacão gigante
Ter o amor sagrado de alcançar
Uma luz lá longe na escuridão do céu
Transformada em estrela cadente
Anunciadora da boa nova
E transformar um encontro fugaz
Num partilhar de vida eternidade e paz

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