Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

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A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Pássaros mensageiros



Quando os pássaros baterem asas estarei longe
Desagregada dos calabouços de contaminação
Aguardarei apenas serenamente o romper
Do cordão umbilical que me liga
Aos desabridos da confusa vida

Quando os pássaros planarem no alto
Em bandos de socorro em debandada
Fugindo ao escuro como breu
Ultrapassarei os caminhos das serranias
E estarei de novo mais perto do céu

Quando os pássaros se revoltarem
Contra os homens que os maltratam
Prendem-lhes o voo cortam-lhes a respiração
Fazem tiro ao alvo às asas
Partirei com eles mesmo sem penas
Porque pena tenho eu destes seres famintos
Ávidos em destruir
A mãe Terra que os fez nascer 

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