Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Vampiros à solta



Alimentam-se as bestas ávidas de sangue
Atraindo as vítimas em situação de fragilidade
Entram em jogos de engenhosa manipulação
Na inevitabilidade de um jorro ancestral sem idade

A ambição de posse é genética
Empurrando os jogadores de vida e morte
Para o entrelaçamento mortal
Onde os grilhões se movem
Obedecendo a forças que não sabem
Humanamente distinguir o bem do mal

Há vampiros que se alimentam no silêncio
Perante a calamidade demente e patológica
Que se infiltra na mente
Em campo degradado imenso
Deste aglomerado de gente

É o medo a cobardia a divisão
Egos confusos ávidos de aplausos
Que aumentam o número destas criaturas da sucção
Que se riem como hienas na nossa cara
E sem vergonha dançam em nosso redor
O ritual acabrunhado da extinção

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