Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

terça-feira, 16 de junho de 2015

Voltar para casa




Crio em redor de mim uma bolha
Que me protege de agitações patológicas
Raivas alheias ciúmes desregrados
E arenas de guerras ilógicas

Não sei se sou eu que me baralho
Que conscientemente falho
Ou se em redor de mim se agitam
Espectros sugadores de energia
E me atiram dardos de maldição
Provenientes do fel que os anima

Volto para  o lar onde a paz vibra
E o meu coração se apazigua
Porque a armadura nem sempre dura
E sinto na carne e na mente
As línguas cortantes convencidas e doentes
Subterfúgios polidores de egos
Que contaminam e bloqueiam
A explosão da criatividade
E autómatos repetem a medíocre rotina

Que seja sereno e repleto de plenitude
O retorno a casa pois para amarguras
Gestos indignos chacotas desnecessárias
Sufocos injustiças e ditaduras
Já basta a minha dúbia existência
Evitando a custo o trilho da demência

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