Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

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A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sexta-feira, 3 de julho de 2015

A fome obscura das catacumbas




Desesperam as criaturas tontas
No acumular de filões da terra
Em troca do sangue derramado
Em permissão desta forma de exploração
Ambicionada pelos parasitas do cosmos
Tarântulas assassinas negras peludas
Que esperam largar o veneno em todos os poços

Alarvice que destrói manipula
E apunhala crianças trabalhadoras
Incentivando a escravidão e a tortura
Cavalgam estas bestas famintas de moedas
Pelas catacumbas escuras e labirínticas
Do poder económico psicótico aplaudido
Pelos pinguins disfarçados de altruístas
Em rituais de sedução de cristas levantadas
Pernaltas da passarela do pavonear
Olhar superior riso de estupor e calças vincadas

A fome obscura das catacumbas
Esconde a decomposição das milícias
Ambiciosas de poder e eternidade
Que se projetam a si mesmas
Em ícones adventícios de estática ilusória
Fantasiando na paragem do tempo
Ignorando que são espectros dançantes
Marionetas palhaços risos de estilhaços
Na dedilhação dos fiascos


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