Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

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A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sábado, 11 de julho de 2015

As convulsões do Mundo



Os espasmos do mundo assemelham-se
Às contrações do ventre mãe dilatada
De amor erguida impregnada
O bisturi que avança que corta e alcança
As vísceras do ser mesmo em esperança
E é a mesma fonte que a Terra retalha
Dá as cartas abraça traça e baralha

O fogo etéreo combustão lenta
Que todas as criaturas frequenta
É o mesmo que explode
Com as estrelas mais vistosas
As galáxias mais imperiosas
E neste acontece que endoidece
O pânico instala-se nos neurónios
Da separação das catástrofes

A fissura a rasura o rasgão que cria a cisão
Expressa o bafejo do desgaste
E o homem corsário utilizando o que não é seu
Foçando apedrejando explorando
Em inconsequente parasitagem
Qual adolescente entusiasta
De promiscuidades viciantes
Quer lucrar sem nada fazer nesta viagem

Eliminam-se os desperdícios
Abrem-se e tapam-se orifícios
Solda-se a tecnologia salvadora
Paradoxalmente repressora
Os campanários transformam-se  em intrusão
E por truques de magia ilumina-se a fusão

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