Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

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A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sábado, 18 de julho de 2015

O histerismo das gazelas



Saltitam as gazelas tontas
Esbaforidas de focinho erguido
Pulam o espaço do ameaço
E entre os cascos elegantes
Passeiam-se no gargalhar
Da espécie altiva
Saltam o muro
Voltam costados ao decoro

Riem como hienas
Esperando a próxima vítima
As crias revoltam-se perante
O histerismo das gazelas
Gritam também e a trepidação é tal
Que os dentes riscam tatuagens 
De simbolismos ultrapassados em descrença
Como se à manada fosse imperativo
Gravar um rótulo uma qualquer pertença 

Agonia-me o histerismo das gazelas do asfalto
Patas batendo piruetas ao alto
Arrancam os canteiros
Devoram as flores
Insensíveis às alheias dores
Alisam o pelo porque o seu mundo é belo
Que desilusão a minha alma acalenta!
É que os olhos das gazelas escondem
A crueldade prazenteira e airosa
Por detrás do melaço florido de uma rosa 

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