Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

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A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sábado, 15 de agosto de 2015

Mergulho na escrita



Tomba o cansaço na profundeza das pálpebras serradas
Unem-se as mãos captando a paz imaculada
Que flutua algures na via láctea guardada
Não importa a direção o Norte
Em posição fetal encontra-se o ninho
E cria-se à volta uma bolha protetora
Promovedora de melhor sorte

Encaminham-se os passos para a sombra fresca dos abrigos
Descortina-se um altar e cânticos humanos fazem-se ouvir
Os vitrais transparecem na luz dentro dos templos
E o silêncio é visita que exclui a loucura a violência a ditadura
Provocando o abanão de outras tempestades outros ventos

O mergulho na escrita sem códigos deixa que a palavra
Se agite como um campo aberto onde se lavra com os dedos
Nem pensar nem julgar e a ligação surge em centelhas de revelações
Que rodopiam em cores e melodias e por breves momentos
A salvação impõe-se livre de moléstias e confusões


Tombo de cansaço uno as mãos
Encaminho os passos para o silêncio
Deixo-me trespassar por revelações
Mergulho na escrita sem julgamento

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