Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

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A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

A contradição das luzes



Ilumine-se o iluminado e criam-se as trevas dentro da cegueira
Incapaz de descortinar as silhuetas da união
Indiferente às tortuosas ligações de destruição e morte
Incapaz de imaginar mais além o que lhe vai cair em sorte

Ilumine-se em extremo com outros instrumentos
E só esqueletos andantes a cair em pedaços se visualiza
Por entre os caudais putrefatos de gente agoniada e faminta
Sem roupas sem orientação sem terra sem sapatos

Então formam-se ribeiros salvadores de desejos
Procurando outros comércios trazendo consigo
Por entre os bolsos traidores o petróleo pérola líquida
Poluição dos alvéolos que se trocam por arquiteturas
Estranhas à sua alma

Mas o negócio é potente a ambição da moeda é forte
E as culturas abraçam-se à força
Beijam-se por debaixo da mesa tocam-se sob os lençóis
Manipula-se a pobreza e o comprador de vidas
Ri satisfeito com a troca
A arte fictícia adquire os contornos da estrela da cruz
É tudo e em nada se foca!

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