Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

domingo, 27 de setembro de 2015

A saga continua



A dança do ventre na confusão se distende
Línguas afiadas garras em desgaste
Arquitetam falsetes na orquestra de enfeites e lérias
Embutida nas paredes das artérias

Continua a saga das papoilas tontas no ar
À espera do sopro que as leve para um improvisado altar
Loucas as baratas perdem-se na poluição dos esgotos
Gargarejam em espaços angustiosos esvoaçantes
E os braços das sementes em rotação sem terem onde aterrar

O baile de máscaras retrocede ao primitivo
Do empedernido evacuando estratégias furadas
Rodas quadradas mal compensadas porque no ângulo reto
Permanece um obscuro manto incorreto
A saga continua a expressar-se no caótico
No robótico antagónico
E o bom senso cai por sistema em saco roto

A pulga sobrevivente contemplando
A  saga do vermelho papoula
Projeta o salto para outros jardins
A pobre da pulga não queria
Saber de bailes nem esgotos
Nem esqueletos robóticos
Ia construir um ninho forte e preciso
Longe das cheias torrenciais
E onde o grito por gentileza
Se transformasse em riso

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