Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

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A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Órfãos do incognoscível



A procura deambulou curiosa com a luta dos seres
Escarafunchou o umbigo
E não ofereceu resistência à expansividade labiríntica
Dos caudais que afugentam as famintas ratazanas
Glutonas de garras em chamas

A curiosidade afundou-se na recriação
Pois descobriu a facilidade em reciclar
Em inventar a partir da constante surpresa da alma
Perante o corte profundo que os senhores
Desenham com prazer alucinado no escravo
Mas o inalcançável era sábio
E na voz audível do teatro trágico
O mau transforma-se em bom
O salgado em doce o branco em preto
Numa miscelânea gritante onde os órfãos do incognoscível
Deixando-se trespassar pelos enleios cósmicos
Participam da eternidade abrindo fogo
Em corpo celeste caótico ruidoso e desfeito
Mesmo sabendo que é celebração
Subida à montanha em transe soltando amarras
Mergulham no mar da insegurança da impermanência
Lugar inexistente mas eleito

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