Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

domingo, 25 de outubro de 2015

Rastos de rebeldia




A rebeldia aguçou o espírito os sentidos e alargou perspetivas
Enquanto semeava laivos de incongruências fugidias
Mas incapaz de se manter em promissor convento
Deu passos em direção à folia e ao ritual de encantamento

Sobrevive o vivente transformante no rio incerto da aventura
Onde os trejeitos das personagens agitam a bandeira do livre-arbítrio
Qual bacante em transe divinizado desmembrando as normas
Criando palcos de pura libertação abraçando o fogo ceifando formas

Sacerdotisa que provoca os cegos ignorantes os pedintes
Os acumuladores de riqueza no ribombar dos deuses
No quebrar das amarras sem jugos sem julgamentos
Apenas a afirmação da ânsia da vida sem subterfúgios de requintes

Um erguer de cálice à euforia ciclónica
Da turbulência magistral da força dos elementos
Um brinde à saúde plena esquecendo  posturas
Amarguras patológicas e composturas

O sorriso e o riso festejam o final da guerrilha
Porque o grito jorra agitando o estandarte das tréguas da paz
Como vencedor medalhado pela natureza verdejante
Enquanto a podridão miserável que acorrenta o espírito
Numa cova escura jaz 

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