Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sábado, 21 de novembro de 2015

Cagarras




As cagarras vieram para ficar
Barafustam ameaçam
Escolhem a entoação da música do aço
Que fere os tímpanos e a mente
São cagarras de afiadas garras
Que escondem o medo e a cobardia dos traidores
Inventando danças de folclore dos pântanos
Buscam o prazer na desolação de outros pássaros
Espezinham saltitando no costado de outras perspetivas
Criando em seu redor a adoração de si próprias
E a lâmina vai direta à garganta de quem ousa enfrentá-las

Pobres caga garras!
Com o tempo que tudo espreme
Sentirão o cheiro nauseabundo dos seus ventres
E a lâmina que atiram
Virar-se-á contra as suas próprias cabeças de tremoço
Que incham porque só têm aguadilha dentro
Nem mais nenhum elemento!



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