Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

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A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sábado, 21 de novembro de 2015

Oposição aparente



Quem disse que o escuro e o frio eram sinais de morte
Sem ida sem vinda sem passaporte
Ferro quente estilado ausente
Que trespassa o tempo bafejado pelo incoerente

Contentor de mensagem secreta
Gravada na armadilha da teia neuronal
Rende-se aos enleios da aranha paciente ardilosa
E aguarda a mão que desmonta em rede de pesca artesanal

No encruzamento das linhas permanece
A cruz simbólica do humano
As direções da Terra no Norte Polar
Do sul solar do surgimento da luz em brio
No sono gélido profundo apaziguando o cio

O aracnídeo tece em redor da janela aberta para a claridade
A névoa de cabelos brancos
Confundindo os ratos aguardando as lagartixas
Que perderam as caudas
Na fuga impensada da extinção iminente

O frio e o escuro selam o segredo da vida
E aguardam que a semente sobrevivente
Rompa a casca e se deixe arrastar na cósmica corrente
Onde a metamorfose desnuda os corpos
Na transmigração de energias
E estilhaça os campos quânticos da impermanência
Confundindo o humano que tem ganância
Pelo sagrado e profano perto do abismo da irreverência

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