Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Vínculos



Os casamentos proliferam à superfície
Onde vermes enfermos pedintes e mostrengos sem nome
Se entrecruzam na ânsia imberbe de sustentabilidade perpétua
Emitem a vibração dançante da inter-relação
Esvoaçando no líquido translúcido
De uma perfeita necessidade cortante
A teia adquire formas múltiplas
De instrumentos piscatórios de dependência
Mesmo quando o bafo apertado e desesperado
É feito em arquiteturas de ausência

Constrói-se no ambiente corrosivo a rede neuronal
E as línguas e as gargantas exalam o hálito
Aparentemente doce da comunicação
Chaves e fechaduras cadeados e cabides
Servem os prolongamentos das máscaras com escaras
Perdidas na dualidade das cinematografias e das amarras

Campos elétricos provocam choques de atração
Cabos proféticos ampliam a ligação
E os lençóis freáticos criam labirintos de permeabilidade
Onde o microcosmos aguarda a saída da caverna
Bola de fogo cósmica projetando-se sob o sol
Que orienta em permanente ficção os humanos como farol


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