Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

domingo, 1 de março de 2015

Verdade e persuasão





A verdade deambulava pelos caminhos virgens
Embrenhava-se pela floresta e abraçava as criaturas
Subservientes à genética prolífera de expansividade
Mas uma invasão de parasitas da negritude
Invertem os polos da vida e contaminam o credo
Substituindo-os pelos ponteiros do relógio enferrujado

Adiantam-no atrasam-no e vendem sonhos
Em estratégias dissimuladas de instigação
Onde todos querem mandar
Todos querem ser reis e senhores
Alegando que alguns e só alguns
Não foram feitos para trabalhar
E surgem na praça pública descarados
Os engates os desfalques as falsidades as delinquências
Os enganos os engodos os agiotas os gabarolas
As negociatas os requintes os pedintes os estarolas

E neste enredo de rituais de vanglórias
Explodem a violência a decadência
O esquartejamento a divisão a separação
Os mecanismos de persuasão
Do convencer do outro indefeso
Manipulando-o conduzindo-o à cegueira
À hipnose à turva inanição

Mas este embrulho não encaixa no lugar da verdade
Permanecerá apenas um espaço vazio que é ocupado
Pela carnificina dos glutões dos mandriões dos corruptos
Dos abutres dos sôfregos dos estafetas do cinismo malvado