Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Mar de sangue



Há um mar de sangue espesso que solidifica a efemeridade
De um ser convertido criança em expansão
Um flutuar pelos mares da abundância patológica em turbilhão
Onde criaturas compactas atraem os inocentes
Decepando-os levando-lhes as crias empurrando-os para a precoce morte
Enriquecendo algozes com aqueles que têm pior sorte

O sentir humano esfriou deixando-se moldar
Pela fúria da matança pelo vibrar da descrença
Foi seduzida pelo brinquedo mais caro
Pelo objeto mais raro
E deu origem a outra espécie adoradora de jogos
De morte e vida em que o semelhante não existe
Apenas um fantoche uma marioneta sem sentir sem ver
Que saltita e se deixa esquartejar doentio a seu belo prazer


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