Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Probabilidade




Sou a probabilidade das minas de ouro
Onde os camafeus se enfeitam
Onde as musas se deleitam
Como procurando orgasmos de eternidade
 Mas bate a lâmina na vibração caustica
E advém o mistério da decomposição
Onde os elementos entram em fricção

A probabilidade sai do ovo
E o gigante epidémico faz-se colosso
Agarra-se ao impermanente
Ignorando se é transitório ou frequente

Sou probabilidade feita sopro
Aragem que dança estonteante
Granjeando um espaço
Parasita do tempo falsa respiração
Embrenhando-me nos castelos que faço

Sou a probabilidade derreada
Isolada sem sobreviver aos testes de falsificação
Desestruturada inanimada
Sou mecanismo débil
Sou a probabilidade de um ponto de luz
Que anseia pelo reflexo
Por uma mensagem de volta mesmo sem nexo


Sem comentários:

Enviar um comentário