Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

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A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

A desarmonia das cordas


O embaraço enleou as cordas em dissonância
Que em linha reta cosiam os caminhos
Das espécies em vias de extinção
Pulsando fracas imaturas tontas criaturas
Sugam com as trombas invisíveis os fundos
A energia vibratória a outros trombudos imundos

Nada inventam nada criam
Tudo se rouba se copia num exercício infecundo
De mais do mesmo abalroando os sonhos
Andam estes invertebrados tão longe do carreiro
Fazendo um pacto de sangue com a imbecilidade
E tatuam  o peito orgulhosos do feito com o dinheiro

A exterminação das espécies está codificada
Na proliferação de múltiplas faces vários disfarces
No fogo-de-artifício das estrelas
Na contaminação das células
Onde se alastram as maleitas
Com a inteligência fecunda das marés rarefeitas

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