Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Gargalhada



A gargalhada soou por entre o nevoeiro de ignorância
Abalroada pela monotonia e tédio açambarcadores de intelectos
Doentes esfomeados de pomposidades mascaradas
Por diademas imperiais perfazendo bonitos bonecos

Os murmurinhos das rãs viscosas
Esperam as piruetas saltitantes dos sapos
Onde o carnaval é permanente
E se espera a cada ciclo os verões quentes
Por entre metamorfoses inconsequentes

O riso estático teima em lançar
O fogo-de-artifício queimando os arbustos
Provocando sustos

A gargalhada ecoou mais uma vez e outra
Defecou atabalhoadamente de forma surpreendente
Mas silenciou e no seu limite de grunha pensou
Que ninguém a ouvia e aparvalhou

Frustrada com o investimento obtuso da casquinada
Que não servia para nada
Continuou ignorante desconhecendo que nada tinha
A não ser lamber o ego confuso da carneirada

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