Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

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A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

domingo, 7 de fevereiro de 2016

O zumbido das abelhas



A cantilena instala-se e espraia-se
No espaço comprado ao ladrão celular
Onde as vespas constroem o ninho
Os cascos das éguas raspam o piso arenoso
Congeminando a ruína de outros quadrúpedes
Que empestam os lagos de lama
Nos cornos dos touros inventados em penúria
Em liberdade bestial pela lezíria

A força bruta ignora que o vespão cintilante
Prepara o veneno açambarcador de vontades colossais
Fazendo dos humanos personagens raivosas de computador
Que aguardam a extinção dos canaviais

Crescem as borbulhas nas línguas afiadas
Das serpentes entrelaçadas
Deliciando-se com a viscosidade alheia
Perspetivam a constrição da anulação da espécie
Enquanto devoram a refeição antropofágica
Ao mesmo tempo que as abelhas se entrecruzam
Em piruetas num zumbido contagiante
De centelhas hipnóticas em falsa melódica

O zumbido das abelhas vence a besta
Derruba o humano que indiferente dorme a sesta
E nem o grito final de socorro abana o ferrão
Da bruxa esvoaçante decidida a instalar-se
No paraíso dos inocentes sem remissão


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