Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

domingo, 13 de março de 2016

Processamento do nada



Distendo o bailar no alcance da chegada
Sem saber qual o começo o lugar da partida
Porque o salto mortal que empreendo
Transforma-se em passagem bifurcação
Extensão explosão abrangente portal

O fervilhar das células anuncia o desembainhar da espada
Uma lava incontida rebuscada no processamento do nada
Lugar de estados relativos fortuitos que vivificam
Na incongruência dos desentendidos

Sou salto no ar
Asas que planam no flutuar
Sou o abanar das folhas das árvores
Sou tronco amadurecido
Dando sombra ao faminto
Sou ramo caído fragmentado em rodopio
Pelo vendaval pelo frio
Sou estrela sou rasto criatura atropelada
Sangrando no imperfeito no não eleito
Sou a dimensão imensurável
A canção por cantar
A luz por alumiar o aparente morrer
Perdida na lacuna interminável do verbo ser

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