Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

terça-feira, 26 de abril de 2016

Lugar nenhum



Espraiam-se as nuvens em flechadas
De moléculas fazedoras de fantasias
Enganando as mentes que se detêm
Nos cânticos aparentes
Desarticulando os dançarinos dos regatos
Repletos de intervalos
E o estático se faz pacto vibratório
Silencioso obscuro inodoro

Visualizo as mãos que materializam
Os primórdios do espanto
Num conto de mostrengos e príncipes
Mas são devolvidos pontos de luz
Rastos de fogo partículas em abismal velocidade
Estruturas de mundos alienígenas que rompem a rede

Sou o cosmos diluo-me nele
Mantenho a ligação eterna em intermitência
De campos magnéticos elétricos
Sem rosto sem identidade
E o ódio a chacina a forca a guilhotina
O tiro certeiro na nuca
Agitam-se no mundo patológico
De insanidade estouvada mental
Em que os galardões dourados
Permanecem no corpo do carrasco viral

Aquieto-me!
Sou partícula que viaja para dentro
À procura do silêncio
Da inteligência das pontes
Dos códigos das fontes
Não há discursos canseira da palavra solta
Barafusta vinganças de mal-amados
Trapaças e ameaças

Aquieto-me!
Trespassa-me uma paz eterna
Sem charlatães nem chalaças
Recolho-me e finalmente visualizo
O negro e o silêncio do universo que sou
Pois não há onde ficar
E não há desejo para onde vou!


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