Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

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A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

domingo, 10 de abril de 2016

Tédio



Incomoda-me o fastio da marioneta esquelética
Imatura e fraudulenta que repete os gestos
De bocarra aberta de dentes cerrados
Como a mecânica de quem atrai os insetos
Qual planta carnívora que brinca com os sentidos
Das criaturas mais ingénuas

Cola-se ao meu olhar inquieto que se estende
Para lá dos fantoches das máscaras queimadas
Nas fogueiras vulcânicas
Em gritos de revolta da mãe Terra
Traída pelos filhos trituradores do cordão umbilical

Suga-me o espantalho de corda
Disfarçado de elegância teatral
O espírito de iniciativa mina a força e o poder
E agita os braços convencido que venceu a batalha

Cresce desmesuradamente o fantoche de pau carunchoso
Compenetrado que arrasou e deleita-se
Na dança paranoica do ego manhoso
A princesa da decadência do enfado da inércia
Pensa ser a rainha do mercado que terá sempre o seu reinado
Onde a preguiça idealiza artimanhas de garras de fora
Para tornar escravos os outros enquanto ela sai vencedora sem demora
A sua mente diabólica diz-lhe que manterá eternamente os servos
A apanhar-lhe o lixo tóxico com que se enfeita e deleita

Mas a revelação segreda-me para não cair em julgamentos
Plano então sobre a estagnação dos hipnotizados
E alcanço um espaço onde a criatividade floresce em gestação
Num sopro quântico abandono o fedorento canto
Derrubando a marioneta de pelo na venta
E emerjo expandindo-me pelo universo em estado de inspiração




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