Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

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A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sábado, 28 de maio de 2016

Dedos








Abrem-se os dedos nas estrelas dedilhados nos mares revoltados
Como cordas que se enrolam se emaranham e nunca se consolam
Perscrutam a terra furam sem guelra e escavam
Acolhem as sementes no chão que outrora lavravam
E guardam os tesouros abafados os segredos pelos medos

Dedos crescem sombrios no premir do gatilho
Que matam e maltratam deslizam na pele onde vibrações táteis
Inspecionam as criaturas aguardando o repasto dos ultrajantes
E se repartem pelo solo roubado à natureza
Onde se escreve a revolta da flora da fauna
E se unem arbustos onde proliferam os fungos aberrantes
Dedos que empurram para o precipício os condenados
E desenham caricaturas medonhas e risonhas
Que pintam cenários dos deuses reformados
Descarados e venenosos aguardando a dentada esfaimada

Mas as mãos que comandam os dedos
Que se tocam trocam e destrocam
Que se traçam e enlaçam em mapas de amor
Seguram o cálice dos festejos e apontam o sol da vida
Que aos corpos inteiros oferece guarida
Lutando para que a sociedade humana não se transforme em terror

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