Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sábado, 14 de maio de 2016

Dançar com o desconhecido



A variedade das espécies anuncia o pulsar da vida em flexibilidade
De anunciação de sobrevivência em meio adverso
Porque o cosmos é sábio e cada semente cada célula cada estrela
Faz de nós o arrastamento mais perigoso
E na enchente do relaxamento vai-se o sopro em hibernação
Como descanso merecido aconchego nutrido
Escuridão lúcida feita renovação

Terra que me trouxeste
Terra que me levarás
Abre-me a porta livre para o oculto
O que não tem espaço apenas um enlaço
Rompendo as amarras num percalço

A proximidade dos ritmos fazem desabrochar os botões das flores
E as espigas de trigo voltam a ondular nos campos
Onde as crianças brincam e os lagartos correm
E os pássaros debicam

Mas outros seres híbridos se espraiam nas marés
E as folias constroem múltiplas possibilidades variadas realidades
E espíritos de encantos segredam-nos que o insondado é rei
Imparável inalcançável e sem lei

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