Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sábado, 14 de maio de 2016

Sistema binário




Campeões de investida de múltiplos venenos
Preparam-se para a contenda e conquista territorial
Pois contêm um buraco fundo que tem de ser ocupado
Com imundície tóxica alimento a fermentar
Poder e força explodindo em bestialidade a solidificar
O super eu como se no cosmos nada mais existisse
Senão o neurótico legado do devorar ou ser devorado

Não há neste espaço prisão nem integração nem progresso
Apenas decepar ou ser decepado chicotear ou ser chicoteado
Agredir ou vitimizar altercar ou correr
E neste bloco duplo aparecem os cérebros dos rastejantes
Vibrando na escorregadela peganhosa da sobrevivência paralela
Enrolam-se os nós cegos escorraçando esperma sobre a terra
Onde as cobras se reproduzem como violentos amantes

Não assimilam nem falham apenas se esgotam
Extenuados pela agressividade dos corpos escamosos
Ondulatórios mecânicos lustrosos
Sem capacidade de sentir nem cogitar
Apenas a avidez autoritária de alcançar
A pujança do instinto nas cúpulas do domínio
Que jogam nos labirintos da insipiência do terror
À espera que a espécie humana se esfume
Porque permite que os repteis captadores de calor
Extravasem posturas cruéis com os animais
Com as crianças mulheres e os demais
Exterminando a liberdade perante generalizado torpor


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