Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Gotas de suor


Juntam-se as gotas de suor e escava-se um lago salgado
Impróprio para vertebrados e invertebrados
Rebentam as veias como condutas
Em avalanche das picadas dos intrusos

Os vírus parasitas prendem-se aos respiradouros
Sugando energia corroendo os alvéolos
Da linguagem edificada
Sobre a ética paupérrima  inventada

Desejam a extinção dos pedestres
Os carrascos maquiavélicos inventores
De aparelhamentos de tortura
Sobre os seres à mercê de fantasias e sonhos

O esqueleto quebra em estalidos de uma velha melodia
Anunciadora de mortalidade animal sustentada na folhagem
Formam-se istmos onde outrora cantavam pássaros nas ilhas virgens
Crescem linhas e montes carreiros de bolores
Que consomem o sangue das criaturas
Amedrontadas pela vertigem deste rodízio de circo
Que gira sem parar e que consome os pulmões
Os músculos os ossos das criaturas
Que entregam com gritos de pavor o seu testemunho
Antes de caírem por terra

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