Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

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A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Revolta do machado



Pela revolta do machado afiado as feras retornam ao equilíbrio da visão
Onde as horas e os dias desaparecerão na esfera perdida
Pois os mostrengos do betume e a insanidade que carregam
Enterrar-se-ão nas cavernas mais profundas da amargura
Descerão ao centro da Terra e se fundirão com o todo
Para lhes ser dada renovada oportunidade de celebrar a vida

A violência e a paranoia das mentes idiotas
Serão decepadas em praça pública
E os governadores de ambição derramarão
O sangue da contaminação
À espera de encarnarem de coração

As danças macabras dos estupores
Que por detrás do palco agitam os girinos
Invadem a casa alheia onde mora a submissão a tristeza
Só há sombras teias de aranha fungos e crueza

Esconde-se a vergonha a cultura retalhada desmazelada
E os escravos adoradores de medo encolhem-se sobre si
Sem coragem para o golpe certeiro
Esqueceram que a dignidade humana deve-se aplicar por inteiro

Cegos demoníacos desmembrados
Os senhores da trampa asfixiam-se nela
E o grito dos lúcidos sem amparo sentindo horrores
Ouvir-se-á em alívio porque o ser humano
Não nasceu para ser agrilhoado mas liberto de predadores

O contrato pecaminoso invade as casas vazias
Que se vendem a retalhos
Governantes preguiçosos traidores
Que vendem o que não é seu
E um país fica de rastos
Um deserto à espera de ser ocupado
Por outras criaturas outros negócios outros trastes

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