Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Asfixia




O inferno e o paraíso misturam-se
No jogo cruel das probabilidades fétida aragem
E vibro apenas num interlúdio sacudido
E lacrado pelo mostrengo de que todos fogem

O desconhecido assusta
E a estética altera-se na visão de um só olho
Ou na multiplicidade das perspetivas
Onde as chaves abrem corpos de outros mundos
Outros astros asteroides outros fundos

Tento inspirar mas inunda-me o embaciamento
O ser que me habita sente em pânico o impotente
Asfixio no contentor de líquidos camaleónicos
E espero hirta a contaminação iminente

O tártaro e o éden revolvem-se em remoinho
Humidificando as sementes lançando-as para desertos
Deixando-se explodir e germinar sedentas de povoamentos
Folhagens garras e engrenagens nem feias nem belas
E eu palpito apenas na insanidade de uma corrente ao capricho das estrelas

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