Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Veículos de medo



As zebras contrataram o rei da selva
Para que pusesse ordem no rugir das panteras
Rosnando de garras escondidas à espera de atacar
Com o cio os estranhos leopardos
Que não se enquadravam na estética limitada
De uma única cor negra

A gazela assustada deambulou
Para o interior da floresta onde as serpentes
Aguardavam o repasto das mesas fartas
Saltitou de cancho em penedo
Evitando as picadas traiçoeiras dos escorpiões

As panteras miaram e passaram as patas
No pelo lustroso umas das outras
Porque naquele início de noite havia baile
E a carcaça de alguma vítima
Seria a prova do manjar dos deuses

A gazela subiu à montanha e esperou
Que a chacina terminasse
Construiu um recanto só dela
Onde o silêncio lhe servia de melodia
Ao adormecer sob os raios do luar
E o  medo ficou na selva onde os rugidos se chocam


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