Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

domingo, 11 de setembro de 2016

As fronteiras esbatem-se



Sou o prolongamento de um corpo celeste
Enfaixado entre estrelas voluptuosas
Em gritos de línguas de fogo
Que se enrolam numa espiral de cromossomas
Abrigados na sintonia palpável da cegueira

Cada poro cada respiração abre-se ao vento
O vento percorre o mundo que o homem desfez
A linguagem ditatorial espezinha os ingénuos
E o mundo navega em sistemas requintados de malvadez
Onde o prazer e o sofrer dão amplexos de cumplicidade
E a miscelânea acontece em caldeirão de barro
Que é frágil às quedas e onde apodrecemos
Pelo bem da minoria que não ama e nada cria

É visível uma simpatia malévola
Nos cornos afiados da criatura que corre em debandada
Procurando uma saída do perigo
E a guarida numa renovada entrada

E vem a moral dos aflitos e dos dominadores de cérebros
Batalhando em idiossincrasias de momentos
E entre o que se aproveita e o que não presta
Aparecem então os alegres fabricantes de castigos
Fazendo dos rituais cortantes uma festa



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