Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

domingo, 11 de setembro de 2016

Farol





Há sempre um rosto esquecido sem idade
Por entre as fissuras das paredes em ruínas
Esperando o golpe final para o mundo dos esquecidos
Enquanto o farol se mantém anunciando o perigo
Para os que vivem ao sabor da liberdade

A embarcação dos aflitos serve
De proteção temporária na viagem sem retorno
Navegando à superfície das águas turbulentas
Transportando criaturas ansiosas pele resgate

O oceano debate-se com as marés
As correntes que arrastam as bocarras dos esfomeados
Na profundidade silenciosa das fossas abissais
Onde o mistério da vida guarda o silêncio do tempo
Fermentando os sobreviventes dos gases amantes
E onde as tempestades salgam os corpos dos expostos
Desprotegidos dos maremotos

Sobre a terra erguem-se muros de cristal
Onde são projetados os sonhos das águias
Escavam-se subterrâneos para os prisioneiros toupeiras
Perdendo-se nos labirintos da rigidez das prisões

Farol que abre janelas para orientação sem amarras
Feito de escadarias onde a segurança se aninha
Ancoradouro de almas divididas entre o abrigo e o perigo
Um alerta que os mortos-vivos despertam
Luz que cativa criaturas sereias seduz e os navegantes conduz


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