Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

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A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Baratas tontas

Foto: José Lorvão

Quando se junta a malvadez com a mediocridade
As antenas dos rastejantes procuram avidamente tábuas flutuantes
Preparam a invasão dos exércitos estridentes
Empurrando os ineptos para campos minados
De línguas afiadas penduradas no estendal da imbecilidade
Onde podem ser alimentados pelos estragos

Derrapam as patas nas condutas e fazem a corrida das horas
Para alcançarem o prémio do assomar ao sol
Das cabeças com a armação tingida de óxido de ferro
E escondem o bolo comemorativo da escapadela
Negando o acesso ao seu mundo de máscaras trucidadas
Fingindo outras cabeleiras e novas peladas

As baratas minam o ambiente e surgem camufladas
Onde menos se espera
Instalam-se nos lugares mais obtusos
E inventam os grunhidos da selva mais subtis
Desenham o plano de ataque
Arquitetam na penumbra e riem como as hienas
Quando pensam que trucidaram as libélulas

Ah barata tonta!
Não enxergas que passarás o teu tempo a rastejar
Entre lixo e excrementos de outras criaturas farsantes
Ignorando que te aguarda uma armadilha com formas de diamantes
Enquanto as libélulas sobrevoarão o ribeiro e as margens
Dançando por entre melodias de encantar e renovadas paragens


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