Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

domingo, 2 de outubro de 2016

Isolamento




O meu isolamento contém a necessidade de romper
Na premência dos tempos púrpura
Um nascimento por acontecer
Onde as cobaias se esquartejam se eletrocutam
Nos labirintos incertos das mentes patológicas

O meu retiro acompanha
Os enredos possessos dos túneis subterrâneos
Onde se abrigam os inadaptados
Dos negócios sujos contemporâneos
E onde a loucura não tem escolha
Pois não há amor não há alimento
Apenas vício e um dormir no chão fedorento

A minha segregação tem a força do firmamento
A energia dos presságios das montanhas mais altas
O ânimo das almas humanas mais incautas
Tem a dureza dos penedos mais rijos
É feita de esculturas naturais de tocas e esconderijos
Da robustez das árvores mais assombrosas
Do entusiasmo dos campos floridos
Sobrevoados pelos pássaros mensageiros
De outros mundos por experimentar outros regueiros

O meu retraimento é feito da limpidez das águas
Da rebentação das ondas na areia das praias
Aponta na direção das nuvens
Navega na pureza do arco iris
Onde os sonhos são pintados de fresco
Enquanto na obscuridade se pincelam
Monstros deambulantes de grotesco

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