Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sábado, 22 de outubro de 2016

Recolhimento



Ultrapassar o canal estreito da agonia
Imposta na criatura feita de sofrimento e alegria
É tarefa cósmica num microcosmos de gritos espaçados
Em vibrações lineares de pensamentos arquitetados 
Pela consciência filha do acaso e do vazio
Onde pululam as infinitas probabilidades
Do ser vulgar que sente o calor e o frio

Saltar para lá destes super poderes
Que nos traçam o passado e o futuro
Que nos obrigam a engolir a saliva ácida da injustiça
Que nos fazem esperar até à exaustão
O iminente deixar de trabalhar o motor fulcral
Do coração agraciado com a explosão fatal

Ah prémio merecido!
Esquecimento alcançado esconderijo pleno
Semente longe da sociedade de inferno
Onde as tarântulas traiçoeiras esfomeadas
Nos consomem até os ossos
E as crianças sem pais esfaqueiam os semelhantes
Formatados para a pacóvia esperteza
De quem negoceia a própria vida por debaixo da mesa


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