Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Fogo tingido de ácido



Ando aos saltos no caminho pedregoso
Colho as flores evito os cardos as urtigas
Que me trespassam o discernimento
E cansada da jornada amoleço
Fecho os olhos respiro a custo
E no cume da falésia desfaleço

Arde-me no ventre um fogo
Tingido de ácido em agonia
E no rosto já nem aguento
A máscara rotineira da falsa alegria

As dobras os sulcos as manchas são a mensagem cósmica
Anunciando-me que envelheço e não me iludo
Já não saem palavras da minha boca mas apareço
Na superfície de um lago
Onde flamingos se cativam e esqueço
O meu poiso o meu ninho
Pois as asas ficaram presas
Por detrás das grades onde amorteço
Foram-se os risos já não ouço
Transito num paralelo feito mistério
Onde o silêncio se transforma no leito onde pereço