Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sábado, 5 de março de 2016

Sociedade minada



No circo da palhaçada amestrada
Em que ninguém é o que ostenta na venta
Entra o chefe que premeia a sedutora aparência
Da rainha prateada do gel do silicone do tacão alto
Que corre o risco de ficar retido no empedrado da calçada

Aplaudem os loucos a superficialidade dos faladores
Onde cintila sempre uma bruxa má e uma fada madrinha
Rodando nas pás de uma âncora enferrujada
Onde permanece um barco prisioneiro do tempo
Encalhado no areal negro imenso sem par
Onde as medusas vêm desfalecer e de novo singrar

Aglomeram-se os tarecos cacos velhos empoeirados
Os carros as casas as ilhas os campos de futebol as arenas
E as poeiras radioativas aguardam a chegada
Atabalhoada e faminta das algozes hienas
E nesta consumição tresloucada
Ignoram os príncipes empedrados
Que a posse é fugidia
E em contra mão é capaz de paralisia