Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

domingo, 3 de abril de 2016

Jogo de ideias





Implode o cerebral na delimitação onde a moléculas trocam de par
Dançando ao ritmo da criação da simetria ondulatória
Do impermanente que sorri para a mente confusa e desvairada
Desejando um poiso seguro mas certa que não o alcançará

Surge no preto profundo o espaço gaiola onde os orelhudos
Mal se orientam mesmo de ouvidos apurados
Bocas esfomeadas canibais
Que pressentem o desatinar e esfarelar dos corpos imprecisos
De quem é tudo e nada

O contentor agrega focinhos onde os caninos
Rompem a carne das presas sem pressa
Porque farejam a traição do tempo
Em rasgos de enseadas corcundas
Onde as serpentes invejam braços e pernas
Das criaturas das cavernas
E têm ciúmes das asas das aves de rapina
Que estraçalham os mamíferos esbaforidos
Em correrias pelas serranias
Prolongando o bater do coração
Mas sem energia para o combate à corrupção
Pois o ser muda de rosto
É corte sangrento imposto
É queda no poço estreito
Onde os humanos se enforcam
É cinicamente divisão
Armas apontadas a cabeças no chão
É separação mecanismo centrado na imaginação
Sem saída sem janela sem portal
Capricho enfeite em paranoica diversão