Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

domingo, 15 de maio de 2016

A guerra das hierarquias



A viscosidade dos répteis acelera o processo
De acesso ao trono bárbaro e desumano
Onde o conhecimento das serpentes
Se enrola no pescoço dos mais frágeis
Procurando a soberania da constrição 
Enquanto o servo inconsciente rasga a presa
Faminto de brinquedos de paranoica diversão 

A víbora gigante ameaça com a peçonha
Enrolando-se na agressividade cega
De quem nada mais quer saber
Do que confrontar os rastejantes
Esfomeados de chincalharias inúteis e obtusas
Lambendo o ego explorando os bajuladores
Amantes do poder
Onde a sensibilidade dos mamíferos é esquartejada
Perante a esperteza instintiva do cérebro reptiliano
Egoísta gélido inumano